sábado, 26 de maio de 2018

Homilia: Santíssima Trindade - Ano B

São João Damasceno
Exposição da fé ortodoxa
“Ó coisa admirável!”

Cremos, portanto, em um só Deus, um princípio sem princípio, incriado, ingênito, que não perece, imortal, eterno, ilimitado, inapreensível, indefinível, onipotente, simples, não composto, incorpóreo, imóvel, impassível, imutável, inalterável, invisível, fonte de todo bem e de toda justiça, luz inteligível e nunca acendida; poder que não pode medir-se com medida alguma a não ser sua própria vontade, porque pode fazer tudo quanto quer. É o Criador de todas as criaturas visíveis e invisíveis, de todas tem cuidado e providência, e as conserva; tem o poder sobre todas as coisas, as quais dirige e governa com um reino que não tem fim e é imortal; nada pode opor-se a ele, tudo preenche, nada pode abarcá-lo, mas, pelo contrário, ele abarca todas as coisas, as contém e zela por elas. Penetra todas as substâncias de maneira puríssima e em todas repousa. Eleva-se sobre toda substância como o mais sublime; e sobre tudo o que existe, como o mais excelente, e a tudo transborda. Ele estabelece os principados e ordens, e encontra-se acima de toda ordem e principado, acima da substância, da vida, palavra e pensamento. Ele é a própria luz, a própria bondade, a própria vida, a própria essência, já que não recebeu de outro nem o ser nem qualquer uma de suas propriedades. Ele é a fonte do ser de todos os seres, a vida dos viventes; ele participa de seu Verbo as criaturas racionais; é a causa de todos os bens; vê todas as coisas antes que existam.
Todo ser racional o reconhece e o adora com uma só adoração, e crê e venera a única substância, única divindade, único poder, única vontade, única operação, único princípio, única autoridade, único senhorio, único reinado, em três hipóstases perfeitas; porque estas estão unidas sem confusão, e são distintas sem separação.
Ó coisa admirável! Cremos no Pai e no Filho e no Espírito Santo, nos quais fomos batizados. Porque assim ordenou o Senhor aos apóstolos que batizassem, ao dizer-lhes: Batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Cremos no único Pai, princípio e causa de todos os seres; não gerado por ninguém; o único que existe incausado e ingênito; Criador de todas as coisas; Pai único por natureza de seu Unigênito Filho o Senhor Deus e Salvador nosso Jesus Cristo, do qual procede o santíssimo Espírito.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 515-516.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

VI Catequese do Papa sobre o Batismo: Revestidos de Cristo

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 16 de maio de 2018
Batismo (6): Revestidos de Cristo

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje concluímos o ciclo de catequeses sobre o Batismo. Os efeitos espirituais deste sacramento, invisíveis aos olhos mas ativos no coração de quem se tornou criatura nova, são explicitados pela entrega da veste branca e da vela acesa.
Depois do lavacro de regeneração, capaz de recriar o homem segundo Deus na verdadeira santidade (cf. Ef 4,24), pareceu natural, desde os primeiros séculos, revestir os recém-batizados com uma veste nova, cândida, à semelhança do esplendor da vida obtida em Cristo e no Espírito Santo. A veste branca, expressa simbolicamente o que aconteceu no sacramento e anuncia a condição dos transfigurados na glória divina.
Paulo recorda o que significa revestir-se de Cristo, explicando quais são as virtudes que os batizados devem cultivar: «Escolhidos por Deus, santos e amados, revesti-vos de sentimentos de ternura, de bondade, de humildade, de mansidão, de magnanimidade, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos reciprocamente. Mas acima de tudo, revesti-vos da caridade, que as une todas de modo perfeito» (Cl 3,12-14).
Também a entrega ritual da chama acendida no círio pascal, recorda o efeito do Batismo: «Recebei a luz de Cristo», diz o sacerdote. Estas palavras recordam que não somos nós a luz, mas a luz é Jesus Cristo (Jo 1,9; 12,46), o qual, ressuscitando dos mortos, venceu as trevas do mal. Nós somos chamados a receber o seu esplendor! Assim como a chama do círio pascal acende cada uma das velas, também a caridade do Senhor Ressuscitado inflama os corações dos batizados, colmando-os de luz e calor. E por isso, desde os primeiros séculos, o Batismo chamava-se também “iluminação” e aquele que era batizado dizia-se que estava “iluminado”.
Com efeito, é esta a vocação cristã: «Caminhar sempre como filhos da luz, perseverando na fé» (cf. Rito da Iniciação Cristã dos Adultos, n. 226; Jo 12,36).
Se se tratar de crianças, é tarefa dos pais, juntamente com os padrinhos e as madrinhas, ter o cuidado de alimentar a chama da graça batismal nas suas crianças, ajudando-as a perseverar na fé (cf. Rito do Batismo das Crianças, n. 73). «A educação cristã é um direito das crianças; ela tende a guiá-las gradualmente para o conhecimento do desígnio de Deus em Cristo: assim poderão ratificar pessoalmente a fé na qual foram batizadas» (ibid., Introdução, 3).
A presença viva de Cristo, que deve ser preservada, defendida e incrementada em nós, é lâmpada que ilumina os nossos passos, luz que orienta as nossas opções, chama que aquece os corações no caminho rumo ao Senhor, tornando-nos capazes de ajudar quem percorre o caminho conosco, até à comunhão inseparável com Ele. Naquele dia, diz ainda o Apocalipse, «não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre» (cf. 22,5).
A celebração do Batismo conclui-se com a recitação do Pai-Nosso, própria da comunidade dos filhos de Deus. Com efeito, as crianças renascidas no Batismo receberão a plenitude do dom do Espírito na Confirmação e participarão na Eucaristia, aprendendo o que significa dirigir-se a Deus chamando-lhe “Pai”.
No final destas catequeses sobre o Batismo, repito a cada um de vós o convite que expressei do seguinte modo na Exortação Apostólica Gaudete et exsultate: «Deixa que a graça do teu Batismo frutifique num caminho de santidade. Deixa que tudo esteja aberto a Deus e, para isso, opta por Ele, escolhe Deus sem cessar. Não desanimes, porque tens a força do Espírito Santo para tornar possível a santidade e, no fundo, esta é o fruto do Espírito Santo na tua vida (cf. Gl 5,22-23)» (n. 15).


Fonte: Santa Sé

Procissão e Missa em honra de Santo Estanislau em Cracóvia

No último dia 13 de maio, Solenidade da Ascensão do Senhor, foram celebradas em Cracóvia uma procissão e uma Missa em honra de Santo Estanislau, co-padroeiro da Polônia, cuja festa foi celebrada no dia 08 de maio.

Esta celebração se insere no contexto das comemorações dos 100 anos da independência da Polônia.

A procissão saiu da Catedral dos Santos Estanislau e Venceslau, a Catedral de Wawel, até a Basílica de São Miguel Arcanjo e Santo Estanislau, local do martírio do santo. A procissão, na qual foram conduzidas as relíquias dos Santos poloneses, foi presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Salvatore Pennacchio:

Procissão: Relíquia de São João Paulo II
Relíquia de Santo Estanislau

Núncio Apostólico na Polônia, Dom Salvatore Pennacchio

Regina Coeli do Papa: Ascensão do Senhor - Ano B

Papa Francisco
Regina Coeli
Praça São Pedro
Domingo, 13 de maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, em Itália e em muitos outros países, celebra-se a solenidade da Ascensão do Senhor. Esta festa inclui dois elementos. Por um lado, orienta o nosso olhar para o céu, onde Jesus glorificado está sentado à direita de Deus (cf. Mc 16,19). Por outro, recorda-nos o início da missão da Igreja: porquê? Porque Jesus ressuscitado e elevado ao céu envia os seus discípulos a difundir o Evangelho por todo o mundo. Portanto, a Ascensão exorta-nos a elevar o olhar para o céu, para o dirigir logo a seguir para a terra, cumprindo as tarefas que o Senhor ressuscitado nos confia.
Eis quanto nos convida a fazer a página evangélica hodierna, na qual o evento da Ascensão vem imediatamente depois da missão que Jesus confia aos discípulos. Trata-se de uma missão incomensurável - ou seja, literalmente sem confins - que supera as forças humanas. Com efeito, Jesus diz: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura» (Mc 16,15). Parece deveras demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais! Contudo, esta restrita companhia, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia de Jesus a todos os recantos da terra.
Mas este projeto de Deus só pode ser realizado com a força que o próprio Deus concede aos Apóstolo. Neste sentido, Jesus garante-lhes que a sua missão será apoiada pelo Espírito Santo. Diz: «descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1,8). Por conseguinte, foi possível realizar esta missão, e os Apóstolos deram início a esta obra, que depois foi continuada pelos seus sucessores. A missão confiada por Jesus aos Apóstolos prosseguiu através dos séculos, e prossegue ainda hoje: ela exige a colaboração de todos nós. Com efeito, cada um de nós, em virtude do Batismo que recebeu, está habilitado por sua vez a anunciar o Evangelho. É precisamente o batismo que habilita e também nos impele a ser missionários, que anuncia o Evangelho.
A Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos.
A Virgem Maria que, como Mãe do Senhor morto e ressuscitado, animou a fé da primeira comunidade dos discípulos, nos ajude também a manter «elevados os nossos corações», como a Liturgia nos exorta a fazer. E, ao mesmo tempo, nos ajude a ter “os pés no chão”, e a semear com coragem o Evangelho nas situações concretas da vida e da história.


Fonte: Santa Sé

Solenidade da Ascensão do Senhor em Jerusalém

No último dia 10 de maio, 40 dias após a Páscoa, a igreja de Jerusalém celebrou a Solenidade da Ascensão do Senhor (no Brasil, esta Solenidade é transferida para o domingo).

As celebrações, na pequena capela da Ascensão no Monte das Oliveiras, foram presididas pelo Vigário da Custódia da Terra Santa, Padre Dobromir Jasztal.

Dia 09 de maio: I Vésperas

Procissão de entrada 


 
Incensação durante o Magnificat

terça-feira, 22 de maio de 2018

Mudanças no Colégio Cardinalício


Antes ainda do anúncio da criação de 14 novos Cardeais feito no último domingo, no sábado, dia 19 de maio, foram feitas mudanças no Colégio Cardinalício:

Durante o Consistório Ordinário Público para voto de algumas Causas de Canonização, o Papa Francisco concedeu a seis Cardeais da Ordem dos Diáconos ingressar na Ordem dos Presbíteros. É o que se denomina “optatio” (opção), como prescreve o Direito Canônico (cân. 350, § 5-6):

Mediante opção manifestada em Consistório e aprovada pelo Romano Pontífice, os Cardeais da ordem diaconal, se tiverem permanecido por um decênio completo nesta ordem, podem passar à ordem presbiteral. Neste caso, obtêm a precedência sobre todos os Cardeais Presbíteros criados depois deles.

Os novos Cardeais Presbíteros mantêm suas igrejas titulares, que são elevadas temporariamente de diaconias a títulos presbiterais. São denominados título pro hac vice (por enquanto).

Dentre os novos Cardeais Presbíteros há três eleitores (Sandri e Comastri até 2023 e Rylko até 2025).

Cardeal Leonardo Sandri
Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais
Nascimento: 18/11/1943 - Argentina
Cardeal Presbítero do Título de São Brás e São Carlos “ai Catinaripro hac vice 

Cardeal Giovanni Lajolo
Presidente Emérito do Governatorato da Cidade do Vaticano
Nascimento: 03/01/1935 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de Santa Maria Libertadora "a Monte Testaccio" pro hac vice

Cardeal Paul Josef Cordes
Presidente Emérito do Pontifício Conselho “Cor Unum”
Nascimento: 05/09/1934 - Alemanha
Cardeal Presbítero do Título de São Lourenço "in Piscibus" pro hac vice

Cardeal Angelo Comastri
Arcipreste da Basílica de São Pedro e Vigário Geral do Vaticano
Nascimento: 17/09/1943 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São Salvador “in Lauropro hac vice 

Cardeal Stanislaw Rylko
Arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior
Nascimento: 04/07/1945 - Polônia
Cardeal Presbítero do Título do Sagrado Coração de Cristo Rei pro hac vice

Cardeal Raffaele Farina
Bibliotecário e Arquivista Emérito do Vaticano
Nascimento: 24/09/1933 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São João "della Pigna" pro hac vice

Com a optatio do último sábado, o encargo de primeiro Cardeal Diácono eleitor passa ao Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Como ele completará 80 anos no próximo dia 08 de junho, deixando de ser eleitor, o encargo passará ao Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino.

O Protodiácono continua sendo o Cardeal Renato Raffaele Martino. Porém, como ele não é mais eleitor, as funções que competem ao Protodiácono dentro do conclave serão exercidas pelo primeiro dos Cardeais Diáconos eleitores.

Papa Paulo VI será canonizado em outubro

No último sábado, dia 19 de maio, o Papa Francisco presidiu um Consistório Ordinário Público para causas de Canonização, quando definiu que o Papa Paulo VI será canonizado no próximo dia 14 de outubro, no contexto do Sínodo dos Jovens.


Giovanni Battista Montini nasceu em 26 de setembro de 1897 em Concesio (Itália). Foi ordenado sacerdote em 29 de maio de 1920, incardinado na diocese de Bréscia.

De 1922 a 1954 trabalhou na Cúria Romana, exercendo diversos cargos na Secretaria de Estado, em estreita colaboração com o Papa Pio XII. Em 12 de dezembro de 1954, recebeu a ordenação episcopal como Arcebispo de Milão.

No Consistório de 15 de dezembro de 1958, o Papa São João XXIII o criou Cardeal, com o Título Presbiteral dos Santos Silvestre e Martinho ai Monti.

Em 21 de junho de 1963, após a morte de João XXIII, foi eleito o 262º Papa da Igreja Católica, assumindo o nome de Paulo VI.


Seu pontificado foi marcado pela conclusão e aplicação do Concílio Ecumênico Vaticano II, pelo progresso no diálogo ecumênico e pela defesa da vida e da família. Foi o primeiro Papa da Era Moderna a viajar fora da Itália.

Paulo VI morreu em 06 de agosto de 1978, Festa da Transfiguração do Senhor, na residência papal de Castelgandolfo.

Foi beatificado pelo Papa Francisco no dia 19 de outubro de 2015, no contexto do Sínodo da Família.


Juntamente com o Papa Paulo VI serão canonizados ainda outros cinco Beatos: Oscar Arnulfo Romero Galdámez (Bispo e Mártir), Francesco Spinelli (Sacerdote), Vincenzo Romano (Sacerdote), Maria Katharina Kasper (Virgem) e Nazaria Ignazia de Santa Teresa de Jesus (Virgem).

Informações: Santa Sé.