quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Missas de Nossa Senhora: Maria, filha eleita de Israel

1. Bem-aventurada Virgem Maria, filha eleita de Israel

Introdução
No tempo do Advento, a Igreja recorda a aliança de Deus com Israel. Com Maria, “ilustre Filha de Sião, depois da longa espera da promessa, se completam os tempos e se instaura a nova economia, quando o Filho de Deus assumiu dela a natureza humana, para livrar o homem do pecado, pelos mistérios de sua carne” (Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, n. 55).
Assim, esta Missa celebra a expectativa de Israel pela vinda do Messias, a qual se realiza por intermédio da eleição de Maria e por sua resposta obediente ao desígnio salvífico de Deus. No Prefácio, pois, compara-se a desobediência de Eva à inocência de Maria.

Antífona de entrada (Sf 3,14; Ag 2,8)
Exulta e alegra-te de todo coração, Filha de Jerusalém.
Eis que vem o desejado de todos os povos
E encherá de glória a casa do Senhor.

Oração do dia
Ó Deus, que escolhestes para Mãe do Salvador a bem-aventurada Virgem Maria, admirável entre os humildes e os pobres, concedei que, seguindo seus exemplos, Vos ofereçamos a homenagem de uma fé sincera e em Vós coloquemos inteiramente a esperança de nossa salvação. Por nosso Senhor Jesus Cristo...

ou:
Ó Deus, que cumprindo a promessa feita aos nossos pais, escolhestes a Virgem Maria, admirável Filha de Sião, concedei-nos seguir os exemplos daquela que vos agradou pela humildade e nos fez ditosos por sua obediência. Por nosso Senhor Jesus Cristo...

Oração sobre as oferendas
Recebei, Senhor, estes dons e transformai-os, por vosso poder, em sacramento de salvação, no qual tendo cessado os sacrifícios da primeira aliança, de oferece o verdadeiro Cordeiro, Jesus Cristo, nascido de modo admirável da Virgem Imaculada. Por Cristo, nosso Senhor.

Prefácio
Na verdade, ó Pai, Deus eterno e todo-poderoso, é nosso dever dar-vos graças, é nossa salvação dar-vos glória, em todo o tempo e lugar. Vós constituístes a Santa Virgem Maria como plenitude de Israel e princípio da igreja, para manifestar a todos os povos que a salvação vem de Israel e que a nova família brota do tronco escolhido. Pela natureza filha de Adão, Maria reparou com sua inocência a culpa de Eva, a mãe primeira. Pela fé descendente de Abraão ela concebeu em seu seio, porque acreditou; pela geração é ela vara de Jessé, que floresceu em Jesus Cristo, Senhor nosso. Por Ele a multidão dos anjos adora a vossa majestade e em vossa presença se alegra eternamente. A eles pedimos, associeis as nossas vozes para com eles eternamente cantar (dizer) a uma só voz...

Antífona de Comunhão
Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, glória dos Patriarcas.
Exultai, vós que por meio do Anjo recebestes a alegria do mundo.
Exultai, vós que nos trouxestes o Pão da vida.

Oração após a Comunhão
Fortalecidos com o sacramento que nos traz a verdadeira vida, nós Vos suplicamos, Senhor, que proclamando em Cristo, nascido da Virgem Mãe, o cumprimento das promessas feitas aos nossos pais, alcancemos com alegria, na sua vinda gloriosa, o que ainda esperamos na fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo...

Leitura: Gn 12,1-7 (eleição de Abraão) ou 2Sm 7,1-5.8b-11.16 (promessa a Davi)
Salmo: Sl 112 (113), 1-2.3-4.5-6.7-8 (R: 2)
Evangelho: Mt 1,1-17 (genealogia de Jesus)


Fonte:
Lecionário para Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 14-18.

Missas de Nossa Senhora. Edições CNBB: Brasília, 2016, pp. 33-36.

O Ano Mariano e as Missas de Nossa Senhora

Por ocasião do Ano Mariano, que celebramos no Brasil de 2016 a 2017, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) reeditou a Coletânea de Missas de Nossa Senhora, publicada pela Santa Sé por ocasião do Ano Mariano de 1987.


A Coletânea é composta por 46 formulários que celebram a memória da Bem-aventurada Virgem Maria ao longo do ano litúrgico. Todos os formulários possuem a eucologia menor (coleta, sobre as oferendas e pós-Comunhão), um prefácio e sugestões de leituras.

Estas Missas querem celebrar o lugar eminente de Maria na obra da salvação realizada por seu Filho, como indica a Introdução da Coletânea: “A Virgem Maria, por desígnio divino, em vista do mistério de Cristo e da Igreja, ingressou intimamente na história da salvação, e participou ativamente, de diversas maneiras, nos mistérios da vida de Cristo” (n. 7).

Assim, com as Missas de Nossa Senhora a Igreja quer celebrar com ela o mistério de Cristo, ao mesmo tempo em que pede sua materna intercessão. Que a celebração destas Missas, pois, colabore no sentido de uma reta devoção mariana, que jamais pode obscurecer a centralidade do mistério de Cristo, sobretudo de seu Mistério Pascal.

Maria "salus populi romani
Estas Missas destinam-se primeiramente aos santuários marianos, onde podem ser celebradas com mais frequência. Trata-se aqui especificamente das Missas com a presença de grupos de peregrinos. Se no Santuário se celebra a “Missa paroquial”, observem-se as normas gerais abaixo.

Nas demais comunidades, essas Missas podem ser celebradas nos dias que são permitidas as Missas votivas, conforme a normativa do Missal Romano (IGMR, 3ª ed., n. 374-376):

Sempre permitidas: Nos dias de semana do Tempo Comum.

Permitidas, a juízo do sacerdote: Nas memórias obrigatórias, nos dias de semana do Advento até 16 de Dezembro, nos dias de semana do tempo do Natal e do Tempo Pascal.

Permitidas apenas com autorização do Bispo Diocesano: Nos domingos do Natal e do Tempo Comum, nas festas, nos dias de semana do Advento de 17 a 24 de Dezembro, na oitava do Natal e nos dias de semana da Quaresma.

Sempre proibidas: Nas solenidades, nos domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa, na Oitava Pascal, na Comemoração dos Fieis Defuntos, na Quarta-feira de Cinzas e na Semana Santa.

O mesmo Missal recomenda vivamente a celebração destas Missas nos sábados, que por antiga tradição é dedicado à memória da Virgem (IGMR, n. 378). Evidentemente que referimo-nos aqui às Missas celebradas antes das 18h, quando então entramos na celebração do domingo.

A Introdução da Coletânea recorda que “a genuína devoção mariana não pede que se multipliquem as celebrações de Missas de Santa Maria” (n. 39). Assim, que os sacerdotes saibam encontrar o equilíbrio entre uma maior celebração destas Missas, sobretudo durante o Ano Mariano, e o respeito aos ritmos do ano litúrgico.

Neste sentido, embora a Coletânea apresente um Lecionário próprio, com leituras adequadas a cada um dos formulários, estas não devem ser usadas com frequência, sobretudo nos tempos do Advento, Natal, Quaresma e Páscoa (cf. IGMR, n. 355). No Tempo Comum podem-se tomar com mais frequência as leituras da Coletânea.

Por fim, cumpre reiterar que a celebração destas Missas deve ser conforme a índole de cada tempo litúrgico, como indica a Introdução: “Portanto, os formulários das Missas ordinariamente devem ser usados no tempo litúrgico para o qual foram destinados” (n. 28). Contudo, alguns se adequam a outros tempos, como indicado em cada formulário.

Ano Mariano Nacional: 300 anos do encontro da imagem de Aparecida
A partir de hoje, ao longo deste Ano Mariano, iremos postar aqui no blog estes formulários, à medida que vamos avançando no ano litúrgico. Apresentaremos um breve resumo do comentário teológico que acompanha a Missa, as orações e a indicação das leituras propostas.

Começamos oportunamente neste tempo de Advento, tempo especialmente mariano, para o qual são propostos três formulários:

Tempo do Advento:
2. A Virgem Maria na Anunciação do Senhor
3. A Visitação da Virgem Maria

À medida que formos acrescentando os demais formulários, iremos atualizar esta postagem, que permanece como “índice” da coletânea.

Papa nomeia novo Arcebispo de Cracóvia

Na manhã de hoje, 08 de dezembro, o Papa Francisco aceitou a renúncia por limite de idade do Cardeal Stanisław Dziwisz ao cuidado pastoral da Arquidiocese de Cracóvia na Polônia.


O Cardeal Dziwisz nasceu em 27 de abril de 1939 em Raba Wyżna, Polônia. Foi ordenado sacerdote em 23 de junho de 1963, incardinado na Arquidiocese de Cracóvia. Dentre outros ofícios, exerceu a função de secretário do Arcebispo, Karol Wojtyła, a quem acompanhou a Roma quando este foi eleito Papa.

Permaneceu durante todo o pontificado de João Paulo II como seu secretário pessoal. Em 19 de março de 1998 o Papa o ordenou Bispo, recebendo a sede titular de Sancti Leonis.


Após a morte de João Paulo II, o Papa Bento XVI o nomeou Arcebispo de Cracóvia em 03 de junho de 2005 e o criou Cardeal no Consistório de 24 de março de 2006, concedendo-lhe o Título Presbiteral de Santa Maria “del Popolo”.

Recentemente acolheu o Papa Francisco em sua Arquidiocese por ocasião da Jornada Mundial da Juventude.

Como novo Arcebispo de Cracóvia o Papa nomeou Dom Marek Jędraszewski, até então Arcebispo de Łódź.


Dom Marek nasceu em 24 de fevereiro de 1949 em Poznań. Foi ordenado em 24 de maio de 1973, incardinado na Arquidiocese de Poznań.

Em 1997 o Papa João Paulo II o nomeou Bispo Auxiliar de Poznań, conferindo-lhe ao mesmo tempo a sede titular de Forum Popilii. Em 2012 o Papa Bento XVI o nomeou Arcebispo de Łódź.

Atualmente é o Vice-Presidente da Conferência Episcopal Polonesa.

 Somos muito gratos ao cardeal Dziwisz por todo o seu trabalho junto à João Paulo II e à frente da Arquidiocese de Cracóvia. E, ao mesmo tempo, desejamos a Dom Marek um frutuoso ministério à frente desta importante Arquidiocese!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Homilia: Solenidade da Imaculada Conceição

Santo Anselmo
Meditação 52
“Ó Virgem, pela tua benção é abençoada a criação inteira!”

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.
Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente neles, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.
Pela plenitude da sua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos;e os que estavam acima do céu rejubila-se renovados. Com efeito, pelo fim se seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.
Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ò Virgem bendita e mais que bendita, pela tua benção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!
Deus deu a Maria o seu próprio Filho único, gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como si mesmo. No seio de Maria, formou seu filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.
Por conseguinte, Deus é o pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da criação universal, E Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.
Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.



Fonte: Liturgia das Horas, v. I, pp. 1043-1044.

I Pregação de Advento do Padre Cantalamessa

Na última sexta-feira, 02 de dezembro, o Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, iniciou suas meditações de Advento ao Papa e a Cúria Romana, centradas no Espírito Santo:

Pe. Raniero Cantalamessa
Primeira pregação de Advento 2016
02.12.2016
“Creio no Espírito Santo”

1. A novidade do pós-concílio
Com a celebração do 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, terminou a primeira fase do "pós-concílio" e abriu-se uma outra. Se a primeira fase foi caracterizada por problemas relacionados à "recepção" do Concílio, esta nova será caracterizada, creio eu, pelo completar e integrar o Concílio; em outras palavras, pela releitura do Concílio à luz dos frutos produzidos por este, destacando também o que nele está ausente, ou presente apenas de forma embrionária.
A maior novidade do pós-concílio, na teologia e na vida da Igreja, tem um nome específico: o Espírito Santo. O Concílio não havia ignorado a sua ação na Igreja, mas havia falado quase sempre "en passant", mencionando-o muitas vezes, mas sem destacar o seu papel central, nem sequer na constituição sobre a Liturgia. Em uma conversa, no tempo em que estávamos juntos na Comissão Teológica Internacional, recordo que o Pe. Yves Congar usou uma imagem forte a este respeito; falou de um Espírito Santo, espalhado aqui e ali nos textos, como se faz com o açúcar nos doces, mas que não se torna parte da composição da massa.
Mas o degelo havia começado. Podemos dizer que a intuição de São João XXIII do Concílio como sendo “um novo Pentecostes para a Igreja” encontrou a sua implementação somente mais tarde, terminado o concílio, como tem acontecido muitas vezes nas histórias dos concílios.
No próximo ano nós comemoramos o 50º aniversário do início, na Igreja Católica, da Renovação Carismática. É um dos muitos sinais – o mais evidente pela vastidão do fenômeno – do despertar do Espírito e dos carismas na Igreja. O Concílio havia preparado o caminho para a sua recepção, falando, na Lumen Gentium, da dimensão carismática da Igreja, juntamente com aquela institucional e hierárquica, e insistindo na importância dos carismas[1]. Na homilia da Missa Crismal da Quinta-feira Santa de 2012, Bento XVI disse:
"Quem olha para a história da época pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que muitas vezes assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que torna quase palpáveis a vivacidade inesgotável da Santa Igreja, a presença e a ação eficaz do Espírito Santo".
Ao mesmo tempo, a experiência renovada do Espírito Santo tem estimulado a reflexão teológica[2]. Depois do concílio se multiplicaram os tratados sobre o Espírito Santo: dentre os católicos, está o do próprio Congar[3], de K. Rahner[4], de H. Mühlen[5] e de von Balthasar[6], dentre os luteranos o de J. Moltmann[7] e M. Welker[8], e de muitos outros. Da parte do Magistério houve a encíclica de São João Paulo II "Dominum et vivificantem". Por ocasião do XVI centenário do concílio de Constantinopla, do 381, o próprio Sumo Pontífice, em 1982, promoveu um congresso internacional de Pneumatologia no Vaticano, cujas atas foram publicadas pela Livraria Editora Vaticana, em dois grandes volumes intitulados "Credo in Spiritum Sanctum[9]”.
Nos últimos anos estamos observando passos decididos nessa direção. No fim de sua carreira, Karl Barth fez uma declaração provocativa que foi, em parte, também uma autocrítica. Disse que no futuro iria desenvolver uma teologia diferente, a “teologia do terceiro artigo”. Por “terceiro artigo” entendia, naturalmente, o artigo do credo sobre o Espírito Santo. A sugestão não caiu no vazio. Desde que foi lançada a proposta surgiu a atual corrente denominada, precisamente, "Teologia do terceiro artigo".
Não acredito que tal corrente queira tomar o lugar da teologia tradicional (seria um erro se pretendesse), mas sim estar do lado e reaviva-la. Ela se propõe a fazer do Espírito Santo não somente o objeto do tratado que lhe diz respeito, a Pneumatologia, mas por assim dizer a atmosfera na qual se desenvolve toda a vida da Igreja e toda pesquisa teológica, "a luz dos dogmas", como um antigo Padre da Igreja definia o Espírito Santo.
O tratado mais completo desta recente corrente teológica é o volume de ensaios surgido em Inglês no último mês de setembro, com o título "Teologia do terceiro artigo. Para uma dogmática pneumatológica[10]”.  Nesse, partindo da doutrina trinitária da grande tradição, teólogos de várias Igrejas cristãs oferecem a sua contribuição, como premissa de uma teologia sistemática mais aberta ao Espírito e mais adequada às exigências atuais. Inclusive foi-me pedido, como católico, uma contribuição com um ensaio sobre “Cristologia e pneumatologia nos primeiros séculos da Igreja”.

Levantado o muro que fecha as Portas Santas

Após o fechamento das Portas Santas das Basílicas Romanas (São Pedro, São João do Latrão, São Paulo fora-dos-muros e Santa Maria Maior) por ocasião da conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, já foi levantado o muro que fecha estas portas fora dos anos jubilares.

Nos últimos dias estão sendo colocados nestes muros as urnas com as chaves da respectiva Porta, a ata de sua abertura e fechamento e algumas medalhas comemorativas.

Infelizmente só tivemos acesso a uma foto, que refere-se à Porta Santa da Basílica de São Pedro, cuja "muratura" deu-se no último dia 29 de novembro:


Na foto é possível ver o Arcipreste da Basílica, Cardeal Angelo Comastri, assinando a ata que será depositada no muro. É possível ver também a urna (que é a mesma do Jubileu do ano 2000) e as caixas com as medalhas comemorativas.

Também foi divulgado um vídeo com a cerimônia que ocorreu na Basílica de São João do Latrão no dia 01 de dezembro:


Aguardamos as informações relativas às outras duas Basílicas, bem como mais fotos deste momento histórico. Se assim ocorrer, atualizaremos esta postagem.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Homilia: II Domingo do Advento - Ano A

Santo Agostinho
Sermão 109
Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus

Escutamos o Evangelho, e no Evangelho ao Senhor revelando a cegueira daqueles que são capazes de interpretar o aspecto do céu, porém são incapazes de discernir o tempo da fé em um Reino dos Céus que já está chegando. Ele dizia isto aos judeus, mas as suas palavras afetam também a nós. E o próprio Jesus Cristo começou a pregação de seu Evangelho desta forma: Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. Da mesma forma João o Batista, seu Precursor, começou assim: Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus. E agora o Senhor corrige aqueles que se negam a converterem-se, já estando próximo o Reino dos Céus. O Reino dos Céus - como Ele mesmo afirma - não virá de uma maneira surpreendente. E acrescenta: O Reino de Deus está no meio de vós.
Que cada um receba com prudência as advertências do Precursor, se não quer perder a hora da misericórdia do Salvador, misericórdia que se concede no contexto atual, em que ao gênero humano se oferece o perdão. Precisamente ao homem se presenteia o perdão para que se converta e não exista a quem condenar. Isto Deus decidirá quando chegue o fim do mundo; mas de momento nos encontramos no tempo da fé. Se o fim do mundo encontrará ou não aqui a alguns de nós, eu o ignoro; possivelmente não encontre a nenhum. O certo é que o tempo de cada um de nós está próximo, porque somos mortais. Andamos no meio de perigos. Assustam-nos mais as quedas do que se fôssemos de vidro. E existe algo mais frágil do que um vaso de cristal? Mas, contudo, conserva-se e dura séculos. E mesmo que se possa temer a queda de um vaso de cristal, não existe medo de que a velhice ou a febre o afete.
Somos, portanto, mais frágeis do que o cristal, porque devido, sem dúvida, a nossa própria fragilidade, cada dia nos espreita o temor dos numerosos e constantes acidentes inerentes à condição humana; e ainda que estes temores não cheguem a se concretizar, o tempo corre: e o homem que pode evitar um golpe, poderá também evitar a morte? E se consegue escapar dos perigos exteriores, conseguirá evitar também os que vêm de dentro? Algumas vezes são os vírus que se multiplicam no interior do homem, outras é a enfermidade que se abate subitamente sobre nós; e mesmo que o homem consiga ver-se livre destas taras, a velhice acabará finalmente por chegar a ele, se moratória possível.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 27-28.